12 de fev de 2009

Pinturas 2004: Basta uma falha sua para você perder um grande amor

O slogan estava escrito em uma filipeta recebida ao caminhar pelas ruas da cidade. Na propaganda de uma dentista que mostrava um casal onde o homem tinha um dente a menos. Um espaço! 

O dente que falta abre espaço para símbolo. A frágil imagem da beleza é exposta e refletida na mente de quem vê. Este tema é tratado por alguns artistas na Europa, nos séculos XVI e XVII, que se auto retratavam como demonstração da fragilidade da existência humana. A falta desse dente nos indica a caveira, nos lembra que eles (os dentes) são a única parte visível do esqueleto, da base de nossa matéria em vida. 


Basta uma falha sua para você perder um grande amor - Júlia (acrílica sobre tela, 2004)


Basta uma falha sua para você perder um grande amor - Marcos (acrílica sobre tela, 2004)

Escultura 2005: Êxtase

Êxtase (argila, 210x110x70cm, 2005)

10 de fev de 2009

Reflexões sobre o Nada

O Nada pode estar relacionado ao hiato do criar, ao espaço de decantação dos sentimentos, dos sentidos, pensamentos e formas a serem emergidas de nossas veias criativas para um novo nascimento.

No mundo da pressa, do tempo acelerado, muitas vezes é difícil suportar o Nada como o tempo do trabalho, da necessidade de respirar de novo, inspirando estímulos de vida ou simplesmente vivendo.

Como um corpo duplicado no ser humano/artista, o corpo criador inspira, expira, aspira, joga o oxigênio nas veias; alimenta-se de minerais, vegetais e toma líquidos para refinar o sangue em suas veias. Como no corpo carnal, também existe a necessidade de defecar o excesso ou o que não é preciso. O mais importante é que todas estas funções parecem acontecer no espaço do Nada, do invisível, para que surja a materialização do sublime.

É na liberdade de vivenciar os espaços entre os momentos criativos que acontecem os momentos de devaneios, os pensamentos inusitados. Muitas vezes se diz que quem fica sem fazer nada acaba pensando besteira, mas aqui, no caso do artista, é dessa “besteira” que precisamos. É dela que germina o mutante, transformador na energia criativa viva, alerta e ávida de enxergar o outro lado desse abismo, sem deixar de mergulhar nesse vácuo do abismal, da vertigem do se recriar.

Sendo assim, do Nada tudo se cria, tudo se transforma, confundindo
as certezas do Tudo.

(Marco Paulo Rolla 2007)

Pinturas 1991-93

A Batedeira (acrílica sobre tela, 1992)

O Exaustor (acrílica sobre tela, 1991)

O Candelabro com Maçãs (acrílica sobre tela, 1992)

O Candelabro de Prata (acrílica sobre tela, 1992)

O Vaso de Palmas (acrílica sobre tela, 1993)

O Telefone (acrílica sobre tela, 1993)