4 de mai de 2009

pinturas 2007: série OBJETOS DE ACÚMULO

Objetos de Acúmulo: A Geladeira Cheia (acrílica sobre tela, 200 x 260 cm, 2007) 

Objetos de Acúmulo: Bagagem (acrílica sobre tela, 160 x 250 cm, 2007) 

Objetos de Acúmulo: Problemas de Memória (acrílica sobre tela, 160 x 155 cm, 2007) 

20 de abr de 2009

EXTENSÕES DO CORPO - performance realizada na India - New Delhi - Khoj - 2004

Descrição: Instalação composta de uma escada de ferro que liga a parede ao chão, apoios de metal na parede, frutas recheadas de um líquido vermelho e dispostas num patamar flutuante na parede, onde o corpo cria imagens rituais. Eletrodomésticos e seus cacos, com extensões eletrônicas agigantadas para atravessar o espaço, estão dispostos pelo chão criando uma espécie de lixo urbano. Dois aquecedores deixam a sala bem aquecida para atingir uma densidade atmosférica, e a trilha sonora é uma colagem de sons retirados do tráfego nas ruas.
Duração: 40 minutos

O corpo urbano acorda com o alarme do relógio digital, vai se banhar no chuveiro elétrico, faz café em uma cafeteira elétrica e sai de carro para o trabalho, no banco ao lado, ele leva o seu laptop. No final do dia queima suas últimas horas vendo notícias dramáticas do mundo na televisão, comendo uma comida do delivery fast food esquentada no forno de microondas. Todos os dias essa realidade se repete paramuitas pessoas. O corpo não consegue viver fora desse sistema. O “teatro” é direcionado pelo mercado que diariamente cria um novo desejo. O corpo esqueceu suas necessidades vitais e deixa isso acontecer porque, cego, ele não nota essa mecanicidade.

Tanto na Índia como no Brasil e até mesmo nos países de primeiro mundo essa realidade foi instaurada, resguardando as diferentes formas culturais de sua absorção.
Hoje, em todo o mundo, a tecnologia se tornou um componente vital para o funcionamento da estrutura social vigente, chegando ao extremo de haver pessoas que necessitam desse sistema assim como precisam da comida e do sexo. Computador, internet, telefone celular, laptop, televisor e todo tipo de equipamento eletrônico constroem uma camada virtual na vida. O corpo humano já não pode mais viver despido no espaço. Ele ficou viciado pelos objetos eletrônicos, que começaram a surgir com a revolução industrial do século XIX e se desenvolveram depois da Segunda Guerra Mundial. Agora, no século XXI, estamos diante de um corpo enfraquecido, emocional e psicologicamente dependente de suas extensões eletrônicas.

Quando fui convidado a viver naquele país, durante um mês e meio, com o objetivo de criar um ato performático, me senti muito entusiasmado de estar em contato com aquele universo cheio de música, comida, rituais, pobreza, cheiros, riqueza e cerimônias que ainda têm seu espaço na sociedade. O meu olhar estrangeiro, que por ser ignorante ainda reserva certa inocência, estava aberto para absorver e reagir em tal situação. A Índia é muito peculiar em fatores como a sobrevivência de uma cultura milenar, dentro de suas crenças mais primitivas, rituais e modo de viver, convivendo em um limite muito tênue com o mundo capitalista ocidental. É um dos maiores produtores mundiais de tecnologia.

23 de mar de 2009

CANIBAL

Descrição:
Instalação composta num ambiente de parede falsa, por um fogão de quatro bocas, uma cama acoplada ao fogão por detrás da parede, para sustentar um ou três corpos, e uma traquitana para fechar e abrir a porta do forno automaticamente, além de três performers nus e embebidos em azeite de oliva.
Duração:
3 h 30 min.
A visão do visitante é a de um fogão contra uma parede branca, com aspecto normal, comum. De vez em quando corpos escorregam para fora do forno, mas logo depois são engolidos novamente. O forno se torna uma boca, um buraco ou um monstro que engole e cospe corpos humanos. Primitivos desejos e visões. Pedaços de corpos nus, masculinos e femininos. O fogão explicita a fragilidade do corpo ou a vulnerabilidade da existência humana.
A máquina da indústria não digere os pedaços; ela regurgita os pedaços, criando uma visão absurda, libertando o inconsciente do espectador para uma reflexão sobre o tempo e a morte. A esquizofrenia do sistema instaurado, supostamente irreal, revela uma faceta verdadeiramente surreal do perverso jogo mercadológico da indústria. Acima dos conceitos éticos de uma sociedade, o mercado tenta sempre ditar o desejo no corpo, inerte, deglutido e usado para se vender e ser vendido, e, ao fim, representar o próprio monstro nos outdoors espalhados pelas metrópoles.
O fogão geralmente traz à memória o fazer do alimento, o aquecer e o preparar das energias vitais do humano. Mas ali o fogão é transfigurado e mescla o sentimento do prazer à memória do horror, como a boca de Bataille, ali invertida, e o que passa a ser aterrorizado é o homem. Os corpos mortos e oleosos misturam languidez e morbidez, a beleza na feiúra, o sedutor e o repulsivo.

Marco Paulo Rolla 2006 trecho extraido da dissertação de mestrado do artista.

Performance 2004: CANIBAL

22 de mar de 2009

BREAKFAST _ CAFÉ DA MANHÃ

Descrição:
Instalação composta de uma mesa de café da manhã servida e posicionada rente à parede. A performance começa com a imagem de uma pessoa fazendo o seu desjejum cotidiano, que transcorre normalmente até que um movimento decisivo altera a realidade.
Duração:
10 a 20 min .
Através do tédio de observar o cotidiano, o expectador é surpreendido por esse movimento e, assim, transforma o seu olhar e ressignifica. Com a imagem criada, proponho uma reflexão sobre nossa fragilidade e sobre acontecimentos decisivos que transformam a vida. Considero essa performance a mais afiada no caminho de minha obra, pois é condensadora de sua trajetória.
Nos primeiros dez minutos o homem está vivendo a normalidade de se sentar à mesa, servir-se de café, pão com manteiga, suco, fruta. Assim, vagarosamente vai demonstrando um estranhamento diante daquilo que parece natural em seus movimentos. Através das desacelerações e acelerações, sutis, quase imperceptíveis, crio uma atenção, um descompasso, que pontua cada gesto e cada som criado pelo abrir de um plástico, o derramar de um líquido, o tilintar dos talheres. O espectador sente que algo pode ocorrer e, com o passar do tempo, duvida disso. A ansiedade está em todos os corpos. O homem, que sabe de seu objetivo e destino, tenta criar o tempo certo para agir. A platéia, passados os intermináveis primeiros minutos, já não acreditando mais na mudança da situação, tenta adivinhar o desfecho da imagem. Pensa que o homem vai comer tudo o que está servido (porém a mesa é farta, isso levaria mais de uma hora); ou que ele comeria até não agüentar mais. A platéia fica ansiosa com o descompassado ritmo e com as pequenas demonstrações esquizofrênicas do homem, que come tudo aos pedaços deixando restos, traços de mordidas. Tento, de tempos em tempos, imprimir a visualidade no olhar do espectador. Através de pequenas paralisações, crio quadros vivos, que parecem ser um momento do pensar do homem cuja solidão é dimensionada diariamente.
Aqui podemos fazer uma relação direta com o tema e a maneira de criar dos pintores holandeses do século XVII, por se tratar de um retrato da vida ordinária, levando ao olhar e à mente do outro momentos focalizados de cada vida. Durante o “vazio” dessas imagens corriqueiras, cada um vai trazendo de si maneiras próprias de lidar com o seu momento solitário — condição natural de existência. Apesar de todas as nossas relações de família, de amizade, de amor e de ódio, é assim que existimos dentro de um ser “solitário”. Temos que tomar nossas decisões tentando ser coerentes com nossos desejos e, ao mesmo tempo, ser certeiros em nossos movimentos, pois cada traço de vida determina um destino “exato”. O passado não retorna, mas o presente se transforma.
Assim, o homem decide e cria o momento de quebra da performance, o ápice. Como um movimento brusco e preciso, com uma velocidade enorme, ele se joga sobre tal realidade, destrói e recria. Vários estímulos são jogados sobre o espectador, que se choca: o som da quebra dos vidros e das porcelanas, o derramar dos líquidos, o corpo lançado como um torpedo. A normalidade é definitivamente cortada. O ser já não existe da mesma forma. Ao se jogar sobre a mesa, o corpo do homem se posiciona de cabeça para baixo, cabeça na mesa e pernas para o alto, encostadas na parede, invertendo a ordem e, assim, ele paralisa o tempo por alguns segundos. Diante aos olhares atentos e aos corações disparados pelo susto, os líquidos são a continuidade do movimento. Tudo recria posições na cena: cacos de vidro, cadeira, frutas, leite, manteiga, café, geléia, pedaços de pães, o ovo que há pouco era comido, o corpo. Os objetos remontam composições inimagináveis que, através dos líquidos, pictoricamente começam a ser percebidas pelo espectador, que agora, tem destruída toda a construção narrativa criada por suas expectativas, e, assim, possibilita novos pensamentos e prazeres estéticos.
O caos vai se recompondo e criando conexões, principalmente com os elementos da história da Arte, como o gênero da natureza-morta tanto visualmente quanto conceitualmente, pois o sentimento da fragilidade e do risco a que o corpo humano foi submetido vai levar ao pensamento noções-limites da vida, retomando mais uma vez, o conceito de Vanitas.
Depois de alguns segundos e não suportando o lugar de desequilíbrio, o homem vai se arrastando sobre a parede e, com as marcas dos sapatos, desenha uma linha de sua trajetória. Logo que chega ao solo abandona a cena deixando tudo como ficou nessa nova realidade.

Marco Paulo Rolla 2006 trecho da dissertação de mestrado do artista

12 de mar de 2009

O VISÍVEL E O INVISÍVEL

Duração de 30 a 40 min

As pessoas chegam na sala; na mesa um grande volume de pano está vazia...silêncio, por alguns instantes, imóvel...5 minutos?
Um som é espalhado pelo espaço e permanece constante durante toda a performance.
Frutas e coisas são depositadas, posadas, esmagadas, deliciadas e pintadas, atiradas, respingadas e escorridas por gestos e ações. Frutas feridas trazem a memória do corpo.
No meio das frutas as roupas despem o corpo até a cueca...e ai a ação daquele corpo acaba e sua existência nua, na cabeça de cada pessoa presente se desvela ou não dependendo do ímpeto e da vontade de se ver...tento ficar na mesa até o ultimo conviva sair...ou outro acontecimento atravesse esta realidade.

Marco Paulo Rolla

12 de fev de 2009

Performance 2008: O VISÍVEL E O INVISÍVEL (Madrid, Espanha)







O público derruba a mesa após 15 minutos de imobilidade invisível... aos olhos.

PAISAGENS (vídeo-performance)




A natureza e o homem. Este conflito foi muitas vezes explorado no campo das artes, principalmente no campo da pintura romântica. O homem em contraste com o poder da natureza. A força desta natureza perante a mínima presença humana.

O homem em queda.Tema já desenvolvido no período Maneirista por Cornelis Cornelisz, “da série As Quatro Desgraças” através dos temas, de Ícaro, Phaeton, Tantalus e Ixion. Homens que desenvolveram paixões e desejos tão fortes que foram levados à degradação, à queda!

Sendo assim me propus a desenvolver esta vídeo-performance onde coloco uma câmera fixa, de frente de uma paisagem natural e gravo minutos daquela presença. De repente um corpo em queda é atirado na paisagem cortando a contemplação e deformando a mesma. Depois de alguns segundos, a paisagem começa a envolver o corpo com os materiais específicos inerentes a ela. Como em um corpo doente, ela cria uma membrana para tentar inserir ou dissolver aquele corpo estranho na paisagem.

Marco Paulo Rolla

Pinturas 2004: Basta uma falha sua para você perder um grande amor

O slogan estava escrito em uma filipeta recebida ao caminhar pelas ruas da cidade. Na propaganda de uma dentista que mostrava um casal onde o homem tinha um dente a menos. Um espaço! 

O dente que falta abre espaço para símbolo. A frágil imagem da beleza é exposta e refletida na mente de quem vê. Este tema é tratado por alguns artistas na Europa, nos séculos XVI e XVII, que se auto retratavam como demonstração da fragilidade da existência humana. A falta desse dente nos indica a caveira, nos lembra que eles (os dentes) são a única parte visível do esqueleto, da base de nossa matéria em vida. 


Basta uma falha sua para você perder um grande amor - Júlia (acrílica sobre tela, 2004)


Basta uma falha sua para você perder um grande amor - Marcos (acrílica sobre tela, 2004)

Escultura 2005: Êxtase

Êxtase (argila, 210x110x70cm, 2005)

10 de fev de 2009

Reflexões sobre o Nada

O Nada pode estar relacionado ao hiato do criar, ao espaço de decantação dos sentimentos, dos sentidos, pensamentos e formas a serem emergidas de nossas veias criativas para um novo nascimento.

No mundo da pressa, do tempo acelerado, muitas vezes é difícil suportar o Nada como o tempo do trabalho, da necessidade de respirar de novo, inspirando estímulos de vida ou simplesmente vivendo.

Como um corpo duplicado no ser humano/artista, o corpo criador inspira, expira, aspira, joga o oxigênio nas veias; alimenta-se de minerais, vegetais e toma líquidos para refinar o sangue em suas veias. Como no corpo carnal, também existe a necessidade de defecar o excesso ou o que não é preciso. O mais importante é que todas estas funções parecem acontecer no espaço do Nada, do invisível, para que surja a materialização do sublime.

É na liberdade de vivenciar os espaços entre os momentos criativos que acontecem os momentos de devaneios, os pensamentos inusitados. Muitas vezes se diz que quem fica sem fazer nada acaba pensando besteira, mas aqui, no caso do artista, é dessa “besteira” que precisamos. É dela que germina o mutante, transformador na energia criativa viva, alerta e ávida de enxergar o outro lado desse abismo, sem deixar de mergulhar nesse vácuo do abismal, da vertigem do se recriar.

Sendo assim, do Nada tudo se cria, tudo se transforma, confundindo
as certezas do Tudo.

(Marco Paulo Rolla 2007)

Pinturas 1991-93

A Batedeira (acrílica sobre tela, 1992)

O Exaustor (acrílica sobre tela, 1991)

O Candelabro com Maçãs (acrílica sobre tela, 1992)

O Candelabro de Prata (acrílica sobre tela, 1992)

O Vaso de Palmas (acrílica sobre tela, 1993)

O Telefone (acrílica sobre tela, 1993)