25 de out de 2011

Espaço tempo tempo espaço / performance


O TEMPO COMO PERFORMANCE


A performance tem algumas características intrínsecas e primordiais à sua expressividade.  Elementos necessários para que ela se mostre como um conjunto transitório e experimental único que garanta sua integridade. Assim como o corpo, o som, o espaço e o tempo são também protagonistas. Todos estão contidos neste momento de maneira absoluta e decisiva. Mas no caso do tempo, existe uma maior tensão e consequentemente uma necessidade de se ter mais consciência sobre sua presença para que o transe da performance se instaure.

Pois o tempo não para, está na vida como nosso desafio e nossa linha precisa de um caminho indesviável. Todos corremos no tempo e vivemos entre presente , passado e futuro que são suas consequências diretas. Tudo se resolve no tempo. Costuma-se dizer que o tempo é remédio para tudo e que com ele tudo passa. Ele esta incutido em nossas células, no ritmo cardíaco, no pulsar do sangue sob a pele e em nossa percepção dos dias.

Hoje vivemos um tempo distorcido e acelerado pela ansiedade da vida digital, pela máquina capital e pela velocidade dos aviões e carros, que nos transportam para outras realidades de tempo e espaço. As novidade não param de nos distrair e de nos desfocar de seus minutos. Não notamos mais o tédio das horas e substituímos isto pela ansiedade e depressão de não conseguir nunca o tempo suficiente. Mas o tempo resolve tudo...

Para o performer, ele é o material preciso de sua incorporação e da manipulação de sua existência como imagem. O deslocamento de sua percepção é fundamental para a constituição de uma presença única. Ele usa o tempo como o construtor da imagem. Sobre o olhar ansioso do ser humano tecnológico, imprime na mente a experiência formal do corpo em movimento através do tempo deformado. Pois o corpo na performance é consciente e constituído de seu tempo próprio, real e irreal. Real porque está no presente, no tempo da vida. Irreal porque usa da ilusão do real, no presente, para subverter esta presença ordinária, evocando memórias e pensamentos de futuro.

O artista usa acelerar e desacelerar o presente ao controlar o corpo e o espaço performático, imbuindo-se de uma tensão própria, no ser e no estar. À partir deste esculpir dos minutos, gradualmente envolve o público e conecta seus pensamentos. No lapso do tempo o indivíduo presente imagina e sente outras camadas estimuladas pela ação.

O tempo é uma invenção do homem desde de sua percepção da regularidade dos eventos da natureza. Ele liga tudo. Mas na performance outro tempo tem de ser criado para uma outra existência, para que novos pensamentos formulem questões, sentimentos e resulte na integração entre todos os seus elementos e o público.

Na ansiedade da vida contemporânea não cansamos de ouvir reclamações sobre o tempo monótono das performances. Hoje o homem vive conectado em redes de amizades e informações, sem se dar o direito de meditar em horas “perdidas”. Queremos viver cada segundo sem perceber que na verdade os perdemos. Viver cada segundo deveria ser sua percepção plena, no presente. Esta incompreensão está contida na ilusão do tempo acelerado. Assim a performance é muitas vezes mal entendida, pois é preciso estar disponível e desprovido do tempo de nossa realidade virtual e permitir a entrada deste outro tempo.

O ser humano é domesticado no tempo “real”. Ele precisa  acreditar em sua invenção. Mas a Arte sempre vai nos lembrar desta relatividade. Esta seria sua maior função. Nos colocar frente ao obvio da vida de forma deslocada e assim possibilitar lentes alucinantes para ver nosso presente. Pois nossa realidade corre em diferentes paralelas e perpendiculares. Assim, quando em uma performance encontramos o corpo parado, por horas, deve-se observar que a realidade nele nunca para, ela desliza na percepção destas outras temporalidades e pelo completar da consciência de cada individuo ali presente.

Podemos pensar neste momento como uma realidade microscópica, onde o suor da pele pode ser elevado e percebido, como um acontecimento enorme. A manipulação da temporalidade  transforma nosso estado de perceber, nos transporta ao transe de uma nova dimensão.

Para a performance é de extrema importância que todos ali presentes possam atingir tal momento de concentração e entrega à experiência provocada. Assim o corpo pode se conectar com a ancestralidade do momento único, presente, vivo, vivido, ávido de ser, estar e sentir.

Dar tempo ao tempo é um segredo antigo da vida e parece ser um segredo novo para o futuro acelerado do homem na era virtual.

MARCO PAULO ROLLA 2001

6 de dez de 2010

Ocupação/performance Recepção para o Nada (29ª Bienal de São Paulo)

Na recepção, onde se aspira a um encontro marcado, se encontra o nada como espaço expandido para o sensível. Durante 5 dias vai se instalar uma obra composta por uma instalação mutante onde varias performances trabalharão o cotidiano deslocado. Do homem burocrático representado e desmontado até o ápice de sua própria existência.

Clique no link abaixo para ver vídeo:

Volumetrias




                                                                                          
[fotos: Marcus David]

21 de nov de 2010

Marco Paulo Rolla e Dudude: Disiquilíbrio | Mostra Sesc de Artes 2010

23 novembro 2010, terça-feira, às 21h, no Sesc Pompéia.


Programação completa: www.sescsp.org.br/mostra



Disyquilíbrio [foto Joacélio Batista]

26 de out de 2010

REALIDADE E ILUSÃO - 2010 - nova performance apresentada na ocupação Recepção para o Nada - 29 Bienal de São Paulo - de 20 a 24 de novembro foram apresentadas 17 performances.

Um homem nu se dirige à geladeira onde encontra o alimento, entre o espelho e a geladeira se depara com sua fantasia e sua realidade.



6 de out de 2010

RECEPÇÃO PARA O NADA

MARCO PAULO ROLLA - 29 BIENAL DE SÃO PAULO DE 20 A 24 DE OUTUBRO - 2010



PROGRAMA :  recepção para o nada

09h00  – Vídeos: “Fio Condutor”, “Trans” e “Deformador analógico”.

Performances:
14:30  – Homens de Preto - com Marco Paulo Rolla, Inácio Ribeiro e Marcus David
15:30 – Homem Escutando a Terra - com Marco Paulo Rolla
16:30 – Homens de Preto – com Marco Paulo Rolla, Janaina Tábula, Marcus David e Inácio Ribeiro
17:30 – O visível e o invisível – com Marco Paulo Rolla


Dia 21 –
09h00 - Vídeos: “Confortável”, “Café da manha” e “Objetos do desejo”

16h00 – Homens de Preto – com Marco Paulo Rolla
17h00 – Menina de estimação / Narciso – com Marco Paulo Rolla e Janaina Tábula
18h00  - Homens de Preto - com Marco Paulo Rolla, Anderson Gouvêa, Janaina Tábula, Inácio Ribeiro e Marcus David
20h00 - Concerto Distorcido – com Marco Paulo Rolla, Inácio Ribeiro e Marcus David

Dia 22

09h00 - Vídeos: “Confortável”, “Café da manha” e “Objetos do desejo”

16h00 – Homens de Preto – com Marco Paulo Rolla
18h30 - Homem de Preto uma canção na vitrola – com Marco Paulo Rolla
20:00 - Cama;mesa;escada – com Marco Paulo Rolla

Dia 23
09h00 - Vídeos:  “Atravessando Verônica”, “Canibal” e “Solidão do fauno”

13h00 – Homens de Preto – com Marco Paulo Rolla, Anderson Gouvêa, Mariana Sucupira, Inácio Ribeiro, Marcus David, Gabriela Gehrke e Janaina Tábula
15 hs -  Realidade e Ilusão – com Marco Paulo Rolla
17:00 – Suando e Resistindo – com Marco Paulo Rolla, Anderson Gouvêa, Mariana Sucupira.

Dia 24
09h00 - Vídeos:  “3 paisagens”

13h00 – Homens de Preto – com Marco Paulo Rolla, Anderson Gouvêa, Mariana Sucupira, Inácio Ribeiro, Marcus David, Gabriela Gehrke e Janaina Tábula

14h30 – Volumetrias – com Marco Paulo Rolla, Anderson Gouvêa, Mariana Sucupira, Inácio Ribeiro, Marcus David, Gabriela Gehrke, Janaina Tábula e Daniel Fagundes

15h30 – Imersão, transbordamento e Resistência - com Marco Paulo Rolla, Anderson Gouvêa, Mariana Sucupira, Inácio Ribeiro, Gabriela Gehrke, Janaina Tábula e Daniel Fagundes

1 de jul de 2010

26 de jan de 2010

SUANDO e RESISTINDO 2009 - Verbo - performers: Marco Paulo Rolla, Anderson Gouvea e Mariana Sucupira.Duração:50 min

50 taças de vidro são dispostas na sala formando 3 nichos. 3 corpos nus se colocam em baixo da lampada quente e começa um jogo de tempo, som e energia. Em movimentos repetitivos os performers chocam os copos até sua resistência maxima, provocando a quebra, o acaso e o risco. O som é espandido por captadores fazendo do trabalho um fenômeno musical.




fotos Ding Musa

A peformance e a construção de uma imagem signo

Vamos começar a pensar a performance por vias de um desvio de entrada. A pergunta pela qual nos guiaremos será:

Que imagem constrói uma performance?

Ao invés de perguntarmos pelo significar, em primeiro plano, tentaremos perceber a imagem formada e daí os signos de uma constelação cognitiva. E essas cognições vêm recheadas de sentidos, tanto no sentido do sensível quanto no sentido direcional de apontamento. Uma cognição mista entre a razão e a emoção.

O signo proclama o enigma como sua fonte vital; na arte é do enigma que se extraem as perguntas, o desejo de se relacionar com o objeto. O enigma doa à estética formal sua energia expandida. Sem esse dado o objeto artístico se tornaria opaco, impermeável, sem a menor possibilidade de reflexão no outro, perdendo assim o sentido do humano.