22 de jun de 2014

Bancarrotas [performance, 2012]

Bancarrotas [performance, 2012 - Parque Municipal, Noites Brancas]

Duração: 2 horas
Performers: Ana Luisa Santos, Inácio Mariani, Marco Paulo Rolla, Noemi Assumpção, Regina Ganz.
Produção: Fernando Costa.


Cinco aristocráticos exageradamente vestidos e enfeitados com jóias percorrem o Parque Municipal, no centro de Belo Horizonte. Cada um deles tem um saco de dinheiro falso. Eles circulam rindo exageradamente, até encontrarem uma enorme árvore para subir. Do topo da árvore deixam o dinheiro a cair, nota por nota, rindo constantemente.
A performance é uma crítica sobre o quadro social hierárquico – econômica e politicamente – no Brasil. O poder do dinheiro e o comportamento repugnante em relação às pessoas no país.











11 de mai de 2013

Performance Volumetria

A ação se resume em acumulações de corpos e movéis que reconfiguram a visão do caos já instaurado. Som, luz e movimento alimentam a visão do desmantelamento...e da recomposição de uma realidade. Nas Volumetrias do mundo, homem e objeto se tornam elementos de composição da existência.





 fotos Luiz Carlos Ferreira

4 de mai de 2013

VOLUMETRIAS instalação/performance - cubo reinventado Espaço Espanca - 2013

Fiz um experimento novo. Usei um video/documentação de uma performance (Objetos do Desejo/1999) que queria muito usar assim, agigantado, aproximando-se da imagem real, compondo  uma instalação de uns 50 moveis empilhados no espaço. Esta instalação, além de remeter-se à performance Objetos do Desejo, se aproxima dos Ataques Barrocos e do trabalho Cama, mesa e Escada.
Hoje vamos manipular e ativar esta instalação como a performance Volumetrias.
Volumetrias por sua vez foi um experimento de empilhamento/arquitetura de corpos criada para a Bienal de 2010 (ver imagens neste blog).



Este reaproveitamentodo da memória/documento enriquece o desenvolvimento de uma linguagem e revigora o sentido de todas estas obras!  O encontro de momória e mídia também é algo novo em minhas experiências. Um projetor grande angular, o som da performance e todos os movimentos sonoros que serão amplificados por microfones, agigantam a presença das ações ao extremo de um aglomeramento que vai falar de nossas acumulações materiais, emocionais e de nossa existência como um todo.






Cubo Reinventado
o projeto tem curadoria de Inês Grosso e Marina Câmara 


Marco Paulo Rolla
Volumetria, 2013
Instalação-performance com móveis, objetos diversos e cabelo artificial
Microfones condensadores e sistema de amplificação do som ao vivo
Projeção vídeo: Objetos de desejo, 1999, cor, 20min.

É improvável pensar a obra de Marco Paulo Rolla sem refletir sobre a desconstrução da posição hierárquica entre sujeito e objeto. Se “o uso servil fez uma coisa (um objeto) daquilo que, profundamente, é da mesma natureza que o sujeito[1], em seu trabalho, desde o processo criativo, Marco Paulo Rolla parece concordar com a seguinte proposição: “É preciso pelo menos destruí-los [os objetos] enquanto coisas, enquanto se tornaram coisas.”[2]
Na instalação e performance Volumetria, 2013, diferente de outros trabalhos de Rolla, a destruição é operada não diretamente na matéria, mas sobre a ontologia que rege os estatutos de sujeito e de objeto. Nesta obra vemos, concomitantemente à destruição da condição dos objetos – sua coisificação –, uma tomada de posição do artista que foge àquela a que nós, hierarquicamente em posse da condição de sujeitos, estamos habituados. O artista parece sair de si ou, ao menos, sair deste lugar do sujeito, se abrindo para novos modos de mensurar seu próprio volume, sua existência, ao mesmo tempo em que os objetos – na figura dos móveis – são desarraigados de sua servidão – de seu caráter utilitário – e introduzidos em uma zona puramente imaginária, porvir, localizada entre sua ex-posição de coisa e a emancipatória categoria de sujeito.
Para Rolla, este processo não se confunde absolutamente com a tentativa de humanização ou sujeitificação dos objetos ou mesmo do mundo. Ele coloca também a si mesmo nesta zona de indeterminação entre sujeito e objeto, ao invés de imprimir ao mundo seu modelo, consciente que é sobre o fato de que “ninguém pode fazer uma coisa do próprio outro [...] sem ao mesmo tempo se afastar daquilo que ele mesmo é intimamente, sem se dar os limites da coisa[3].
Para isso a rebelião em Volumetria é uma dialética – propositalmente irresoluta: móveis e corpos se organizam e se des-organizam para comporem uma situação escultórica em que a gravidade, elemento tão estudado em suas obras, nos lembra de nossa condição impreterivelmente ligada, como todas as outras coisas do mundo, à terra. A cotidianidade estável do posicionamento dos móveis é perturbada e sua inércia é desativada pelos performers que os colocam em moto. Esta movimentação conjunta traz à tona a “voz” destes objetos: seus sons passam a ser um dos modos de mensurar o volume da sala, sua ocupação. Por fim, esta movimentação dirige corpos e móveis ao novo modo de medir seus próprios volumes, suas volumetrias, suas formas de habitar o mundo.
É, portanto, improvável não ser então tocado pela noção de transformação: um imperativo que tem sua irredutibilidade posta pelo trabalho de Rolla, seja pela destruição de estatutos, seja pela nova configuração ontológica que as esculturas de móveis e de corpos propõem, mas, sobretudo, pela abertura às imagens que o mundo, na figura dos outros, projeta em nós. Como os performers, também nós, espectadores, experimentamos esta [trans]forma, esta abertura dos corpos às "coisas", ao mundo.
Marina Câmara


[1] BATAILLE. Georges. A parte maldita. Precedida de A noção de despesa. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1975, p. 94.
[2] Ibidem.
[3] Ibidem. 

29 de abr de 2013

 VAGA 2013

Dudude é reconhecida como uma das pioneiras da dança contemporânea brasileira, tendo dirigido a Benvinda Companhia de Dança, em Belo Horizonte, durante 16 anos. Foi nessa estrutura que encontrou e dirigiu Marco Paulo Rolla, um artista multidisciplinar que tem no currículo experiências nos campos da pintura, videoarte, performance, música e escultura. Colaboradores desde a década de 90, assinam em Vaga – Uma Experiência de Ocupação a sua terceira parceria, após Tanque – Uma Ópera Molhada (2003) e Disyquilibrio (2008). Aqui, dão corpo a uma improvisação coreográfica, cruzando texto, música e imagem para “ocupar uma vaga aberta no entre espaço potente da arte”. A coabitação de diferentes formas de expressão é uma consequência natural da sede desta dupla pela exploração de novos territórios. Em Vaga, exploram o espaço vago de uma sala a partir da ideia de esvaziamento, aqui entendida enquanto “linguagem reativa” ao “quotidiano fatídico”. A performance, fragmentada e minimalista, levanta mais perguntas do que respostas.










                                    

fotos Guto Muniz

28 de fev de 2013


31 de dez de 2012

vinílica e colagem sobre papelão - 1988

27 de ago de 2012


Confortável _1998_ vacumforming, silkscreen sobre poliestireno_65x65cm

em exposição no museu Lasar Segal, Exercícios do Olhar, com curadoria de Aracy do Amaral refletindo sobre a figura de costas.
Até 22 de Outubro de 2012.

12 de ago de 2012

COM MUITO AMOR

10min           2011

o amor e o espaço
entre dois existe muito mais
Evocando os trabalhos de procelana "Oráculo"de 1999.
Este filme vem evidenciar a fragilidade entre o indivíduo e os relacionamentos através da transmutação de uma ruptura. O espaço entre dois.







13 de jul de 2012


                                          
 Oráculo - bibelô, porcelana sobre mesa de madeira -1999

6 de dez de 2011

desenhos de muitos momentos


vaso de rosas  1989  lapis de cor, grafite e nanquin 100X80cm


1992   lapis de cor e grafite   22,5x31x5cm


 1992   lapis de cor e grafite   31X22,5cm


estado de espírito  2001  lápis de cor e grafite   80x108cm


  estado de espírito  2001  lápis de cor e grafite   80x108cm


estado de espírito  2001   lápis de cor e grafite   108x80cm


  dramas   2010   lápis de cor, conté e pastel seco   84.1x118,9cm


dramas   2010   lápis de cor, conté e pastel seco   84.1x118,9cm

25 de out de 2011

Espaço tempo tempo espaço / performance


O TEMPO COMO PERFORMANCE


A performance tem algumas características intrínsecas e primordiais à sua expressividade.  Elementos necessários para que ela se mostre como um conjunto transitório e experimental único que garanta sua integridade. Assim como o corpo, o som, o espaço e o tempo são também protagonistas. Todos estão contidos neste momento de maneira absoluta e decisiva. Mas no caso do tempo, existe uma maior tensão e consequentemente uma necessidade de se ter mais consciência sobre sua presença para que o transe da performance se instaure.

Pois o tempo não para, está na vida como nosso desafio e nossa linha precisa de um caminho indesviável. Todos corremos no tempo e vivemos entre presente , passado e futuro que são suas consequências diretas. Tudo se resolve no tempo. Costuma-se dizer que o tempo é remédio para tudo e que com ele tudo passa. Ele esta incutido em nossas células, no ritmo cardíaco, no pulsar do sangue sob a pele e em nossa percepção dos dias.

Hoje vivemos um tempo distorcido e acelerado pela ansiedade da vida digital, pela máquina capital e pela velocidade dos aviões e carros, que nos transportam para outras realidades de tempo e espaço. As novidade não param de nos distrair e de nos desfocar de seus minutos. Não notamos mais o tédio das horas e substituímos isto pela ansiedade e depressão de não conseguir nunca o tempo suficiente. Mas o tempo resolve tudo...

Para o performer, ele é o material preciso de sua incorporação e da manipulação de sua existência como imagem. O deslocamento de sua percepção é fundamental para a constituição de uma presença única. Ele usa o tempo como o construtor da imagem. Sobre o olhar ansioso do ser humano tecnológico, imprime na mente a experiência formal do corpo em movimento através do tempo deformado. Pois o corpo na performance é consciente e constituído de seu tempo próprio, real e irreal. Real porque está no presente, no tempo da vida. Irreal porque usa da ilusão do real, no presente, para subverter esta presença ordinária, evocando memórias e pensamentos de futuro.

O artista usa acelerar e desacelerar o presente ao controlar o corpo e o espaço performático, imbuindo-se de uma tensão própria, no ser e no estar. À partir deste esculpir dos minutos, gradualmente envolve o público e conecta seus pensamentos. No lapso do tempo o indivíduo presente imagina e sente outras camadas estimuladas pela ação.

O tempo é uma invenção do homem desde de sua percepção da regularidade dos eventos da natureza. Ele liga tudo. Mas na performance outro tempo tem de ser criado para uma outra existência, para que novos pensamentos formulem questões, sentimentos e resulte na integração entre todos os seus elementos e o público.

Na ansiedade da vida contemporânea não cansamos de ouvir reclamações sobre o tempo monótono das performances. Hoje o homem vive conectado em redes de amizades e informações, sem se dar o direito de meditar em horas “perdidas”. Queremos viver cada segundo sem perceber que na verdade os perdemos. Viver cada segundo deveria ser sua percepção plena, no presente. Esta incompreensão está contida na ilusão do tempo acelerado. Assim a performance é muitas vezes mal entendida, pois é preciso estar disponível e desprovido do tempo de nossa realidade virtual e permitir a entrada deste outro tempo.

O ser humano é domesticado no tempo “real”. Ele precisa  acreditar em sua invenção. Mas a Arte sempre vai nos lembrar desta relatividade. Esta seria sua maior função. Nos colocar frente ao obvio da vida de forma deslocada e assim possibilitar lentes alucinantes para ver nosso presente. Pois nossa realidade corre em diferentes paralelas e perpendiculares. Assim, quando em uma performance encontramos o corpo parado, por horas, deve-se observar que a realidade nele nunca para, ela desliza na percepção destas outras temporalidades e pelo completar da consciência de cada individuo ali presente.

Podemos pensar neste momento como uma realidade microscópica, onde o suor da pele pode ser elevado e percebido, como um acontecimento enorme. A manipulação da temporalidade  transforma nosso estado de perceber, nos transporta ao transe de uma nova dimensão.

Para a performance é de extrema importância que todos ali presentes possam atingir tal momento de concentração e entrega à experiência provocada. Assim o corpo pode se conectar com a ancestralidade do momento único, presente, vivo, vivido, ávido de ser, estar e sentir.

Dar tempo ao tempo é um segredo antigo da vida e parece ser um segredo novo para o futuro acelerado do homem na era virtual.

MARCO PAULO ROLLA 2001