23 de mar de 2009

CANIBAL

Descrição:
Instalação composta num ambiente de parede falsa, por um fogão de quatro bocas, uma cama acoplada ao fogão por detrás da parede, para sustentar um ou três corpos, e uma traquitana para fechar e abrir a porta do forno automaticamente, além de três performers nus e embebidos em azeite de oliva.
Duração:
3 h 30 min.
A visão do visitante é a de um fogão contra uma parede branca, com aspecto normal, comum. De vez em quando corpos escorregam para fora do forno, mas logo depois são engolidos novamente. O forno se torna uma boca, um buraco ou um monstro que engole e cospe corpos humanos. Primitivos desejos e visões. Pedaços de corpos nus, masculinos e femininos. O fogão explicita a fragilidade do corpo ou a vulnerabilidade da existência humana.
A máquina da indústria não digere os pedaços; ela regurgita os pedaços, criando uma visão absurda, libertando o inconsciente do espectador para uma reflexão sobre o tempo e a morte. A esquizofrenia do sistema instaurado, supostamente irreal, revela uma faceta verdadeiramente surreal do perverso jogo mercadológico da indústria. Acima dos conceitos éticos de uma sociedade, o mercado tenta sempre ditar o desejo no corpo, inerte, deglutido e usado para se vender e ser vendido, e, ao fim, representar o próprio monstro nos outdoors espalhados pelas metrópoles.
O fogão geralmente traz à memória o fazer do alimento, o aquecer e o preparar das energias vitais do humano. Mas ali o fogão é transfigurado e mescla o sentimento do prazer à memória do horror, como a boca de Bataille, ali invertida, e o que passa a ser aterrorizado é o homem. Os corpos mortos e oleosos misturam languidez e morbidez, a beleza na feiúra, o sedutor e o repulsivo.

Marco Paulo Rolla 2006 trecho extraido da dissertação de mestrado do artista.

3 comentários:

furlongart disse...

Amigo, você é um poeta maravilhoso! Tua obra derruba limites internos, mobiliza, transforma... devasta e cria. É muito bom.
Você conhece a Eliane Moraes? pesquisadora, sabe tudo da perversidade humana, Sade, Bataille... Se você não conhece ainda eu posso te passar o contato dela.
Beijos!!!
Patricia Furlong

Carol Lara/nota bemol clara disse...

Marco,

A consitente leveza-rígida do seu corpo nos leva para imagens impossíveis, no entanto, palpáveis. Como amo seu trabalho.
grande beijo da Carol

Marco Paulo Rolla disse...

Oi Patricia, muito obrigado por suas palavras , elas me ressoaram e me encheram de contentamento. O trabalho que fazemos tem ressoar nas pessoas! Só assim ele vale apena.
Fico muito agradecido por sua reação e amizade.
bjs
Marco