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26 de jan. de 2010

A peformance e a construção de uma imagem signo

Vamos começar a pensar a performance por vias de um desvio de entrada. A pergunta pela qual nos guiaremos será:

Que imagem constrói uma performance?

Ao invés de perguntarmos pelo significar, em primeiro plano, tentaremos perceber a imagem formada e daí os signos de uma constelação cognitiva. E essas cognições vêm recheadas de sentidos, tanto no sentido do sensível quanto no sentido direcional de apontamento. Uma cognição mista entre a razão e a emoção.

O signo proclama o enigma como sua fonte vital; na arte é do enigma que se extraem as perguntas, o desejo de se relacionar com o objeto. O enigma doa à estética formal sua energia expandida. Sem esse dado o objeto artístico se tornaria opaco, impermeável, sem a menor possibilidade de reflexão no outro, perdendo assim o sentido do humano.

1 de out. de 2009

Espaço Tempo Tempo Espaço - Space Time Time Space

Duração 1 hora.

Quando recebi o convite para criar uma performance em Recife, a proposta era que eu trabalhasse relações com o entorno. Assim me liguei nas barracas de ervas que se situam ao redor do mercado. Nos sentidos ali provocados e no espaço histórico do tempo. A volatilidade dos aromas e o poder de reciclagem em nossa sensação no espaço. Ali também em todo o centro do Recife se encontra um ruído enorme, labiríntico, representados na performance pelos 70 relógios despertadores despertando!

Instalação:
Uma barraca com 70 'molhos' de ervas e 70 relógios despertadores. Uma plataforma a 3 metros de altura com um homem que sustenta um relógio de parede sobre o rosto.

Na porta de entrada estava a barraca e duas pessoas entregando ao público um molho de ervas e um relógio (preparado para despertar em 5 minutos ).
A Bula, desenho /palavra, dizia e simulava as ações para o espectador. Situar a erva no espaço. Amassar a erva, ficar o tempo que quiser em cima dela. Ao abandonar o lugar, criar a imagem do relógio sobre a erva. A soma da sonoridade dos relógios despertadores formam uma densidade de urgência labiríntica e atemporal. O homem está fixo no espaço sobre uma plataforma na parede. Um relógio de parede no lugar do rosto e sustentado por seus braços, vai descendo pelo cansaço de sustentar o tempo. Pouco a pouco até o corpo pedir para acabar!

6 de mai. de 2009

sobre série OBJETOS DE ACÚMULO

Esta série é uma continuação de minha pesquisa sobre as sistematizações humanas em relação ao mundo material do capital. Objetos de Acúmulo quer refletir sobre nossa obsessão em coletar bens como meio de preencher algo que nem mesmo sabemos o que é. Muitos objetos e situações de posse tomaram tal proporção social que pervertem nossa consciência sobre nossas necessidades.
Para reforçar o estranhamento de tais atitudes, transformo imagens coletadas nas revistas e jornais de nosso dia a dia, criando uma atmosfera de dúvida. Cores com combinações não habituais, distorções de imagem e expressões inerentes à técnica pictórica são direcionadas a nos proporcionar um certo incômodo, para nos questionar as normalidades de nossa realidade.

12 de fev. de 2009

PAISAGENS (vídeo-performance)




A natureza e o homem. Este conflito foi muitas vezes explorado no campo das artes, principalmente no campo da pintura romântica. O homem em contraste com o poder da natureza. A força desta natureza perante a mínima presença humana.

O homem em queda.Tema já desenvolvido no período Maneirista por Cornelis Cornelisz, “da série As Quatro Desgraças” através dos temas, de Ícaro, Phaeton, Tantalus e Ixion. Homens que desenvolveram paixões e desejos tão fortes que foram levados à degradação, à queda!

Sendo assim me propus a desenvolver esta vídeo-performance onde coloco uma câmera fixa, de frente de uma paisagem natural e gravo minutos daquela presença. De repente um corpo em queda é atirado na paisagem cortando a contemplação e deformando a mesma. Depois de alguns segundos, a paisagem começa a envolver o corpo com os materiais específicos inerentes a ela. Como em um corpo doente, ela cria uma membrana para tentar inserir ou dissolver aquele corpo estranho na paisagem.

Marco Paulo Rolla

10 de fev. de 2009

Reflexões sobre o Nada

O Nada pode estar relacionado ao hiato do criar, ao espaço de decantação dos sentimentos, dos sentidos, pensamentos e formas a serem emergidas de nossas veias criativas para um novo nascimento.

No mundo da pressa, do tempo acelerado, muitas vezes é difícil suportar o Nada como o tempo do trabalho, da necessidade de respirar de novo, inspirando estímulos de vida ou simplesmente vivendo.

Como um corpo duplicado no ser humano/artista, o corpo criador inspira, expira, aspira, joga o oxigênio nas veias; alimenta-se de minerais, vegetais e toma líquidos para refinar o sangue em suas veias. Como no corpo carnal, também existe a necessidade de defecar o excesso ou o que não é preciso. O mais importante é que todas estas funções parecem acontecer no espaço do Nada, do invisível, para que surja a materialização do sublime.

É na liberdade de vivenciar os espaços entre os momentos criativos que acontecem os momentos de devaneios, os pensamentos inusitados. Muitas vezes se diz que quem fica sem fazer nada acaba pensando besteira, mas aqui, no caso do artista, é dessa “besteira” que precisamos. É dela que germina o mutante, transformador na energia criativa viva, alerta e ávida de enxergar o outro lado desse abismo, sem deixar de mergulhar nesse vácuo do abismal, da vertigem do se recriar.

Sendo assim, do Nada tudo se cria, tudo se transforma, confundindo
as certezas do Tudo.

(Marco Paulo Rolla 2007)